13 de março de 2012

Arte contemporânea é a minha vó

***********Aviso preliminar: caro leitor, esse texto foi escrito no calor do momento (e no calor de Porto Alegre, no verão), depois de algumas taças de champanhes e uma cerveja - que não resisti e precisei abrir, ao chegar em casa. Então, é possível que eu venha me arrepender de uma ou outra palavra no texto - já que é a primeira versão dele-, e espero que isso seja levado em consideração. No mais, eu, sinceramente, acho que isso não vai acontecer, mas como sou uma pessoa aberta a novas perspectivas, lerei os possíveis (mas improváveis) comentários acerca das ideias do texto, e se os argumentos contrários a minha opinião forem bons, aceito mudar de opinião.**********


Sei que já falei de arte umas duas vezes aqui no meu blog (aqui e aqui), mas, depois da última semana, acho que não é - e talvez nunca será - suficiente. Fui, de novo, a duas aberturas de exposições (ambas no Santander Cultural). No convite, o título - pomposo - de "arte contemporânea" estampado em letras garrafais, como se isso significasse, hoje, alguma coisa. Aliás, significa? Porque, olha, sinceramente, eu não sei mais. Faz tempo que eu não vejo alguma coisa com significado, alguma coisa que nos faça pensar, que proteste, que reaja, que seja bonito. Só vejo coisa feia, sem significado algum, que não é pra nada, que não é pra ninguém, que não é coisa alguma.

"O contemporâneo nos coloca problemas que nos obrigam a pensar a estética dos objetos industrializados, a reprodutibilidade, a indefinição dos limites, a complexidade dos sistemas de produção e as idiossincrasias dos valores", diz o material da programação de sete de março a vinte e dois de abril, distribuído gratuitamente pelo Santander Cultural - e se tu for lá qualquer hora dessas, provavelmente terá um esperando por ti. Ok, se isso é o questionamento da arte contemporânea, então onde é que ela está? Porque não é nos museus - ao menos, não nos de Porto Alegre - que a gente encontra esse tipo de questionamento. Nas palavras do governador do Estado, Tarso Genro, presentes no mesmo material, "a arte contemporânea, que tem a vocação de refletir sobre o nosso tempo, contribui na qualificação das relações sociais, na elaboração da crítica e na reinvenção do próprio fazer cotidiano". O senhor me desculpe, senhor governador, mas os museus da capital não colaboram em nada com a reflexão acerca do nosso tempo, a não ser pra dizer: isso tudo tá uma merda e não tem ninguém percebendo; não colabora na qualificação das relações sociais, a não ser das relações entre os bicões presentes em todas as vernissages, se atirando e se debatendo por uma taça de Salton e um potinho de massa com queijo, ou uma cereja de algum canapé que sobrou. O fazer do cotidiano, governador, será o mesmo, porque não é isso que está em jogo, infelizmente. Aliás, poucos artistas lembram que tem esse aspecto da vida, o cotidiano. E o que sobra para a crítica? Bem, sobro eu, postando a minha humilde opinião num blog que provavelmente ninguém vai ler. 

Enfim, cada dia mais fico mais triste com o que vejo por aí. Qualquer porcaria é arte, qualquer trequinho montado com Super Bonder é arte, qualquer foto é arte, qualquer coisa é arte - ainda mais, arte contemporânea. Qualquer coisa é exposta nos museus. Ainda acho - a romântica aqui falando alto - que não pode ser assim. Não pode ser qualquer coisa, porque, bem, se é qualquer coisa, então não é nada. Concordo lá com esse trecho do texto do Tarso - embora eu discorde dele em muitas outras coisas, que, agora, não vêm ao caso - mas, infelizmente, não é isso que temos aí. O que temos aí é um monte de gente que acha que sabe alguma coisa - e, me desculpem, diplomas de cursos (não importa o nível) não servem pra nada se não se souber o que fazer com eles, e não basta me dizer que é mestre ou doutor em Artes Visuais pra dizer que algo é arte, assim, sem mais nem menos: ainda é preciso, sim, justificar isso, e essas coisas que estão nos museus não se justificam. Não estou dizendo que todos são assim, mas que, principalmente, os administradores de museus de arte são. Se é preciso um texto explicando uma imagem, que deveria explicar-se por si só, deve ter alguma coisa errada. Afinal, uma imagem não diz mais que mil palavras?

8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

Hoje, oito de março, é o dia internacional da Mulher. As origens dessa data se encontra facilmente em algum post da Wikipedia ou no Facebook (principalmente hoje), então não vou me ater a isso aqui. O post de hoje, então, é dedicado a todas nós, mulheres, mas não quero dar somente um parabéns, ou uma felicitação, por sermos mulheres. É mais um desejo ou um pedido.

Parabenizo àquelas que não desistem de seus objetivos, que mesmo com muitas dificuldades (cada uma sabe bem os obstáculos que enfrenta), ainda correm atrás daquilo que querem, independente se sofrem críticas, se as colocam pra baixo, se dizem que elas não vão conseguir – algumas dessas críticas, infelizmente, ainda se baseiam no simples fato de elas serem mulheres. Que não estão nem aí se são desacreditadas; se tem milhões de coisas a fazer, além de cuidar de si mesma e, mesmo assim, cuida; que se divertem com os amigos, saem com a roupa que querem, falam as besteiras que querem, que são seguras de si, que são bonitas, sem precisar de alguém o tempo todo lembrando elas disso – porque isso elas já sabem.

Mas, ao mesmo tempo, desejo que as que não conseguem ter essa força de vontade ou que são inseguras revertam essa situação. Que elas acordem um belo dia e se olhem no espelho, e vejam como são lindas; vejam que são uma infinita possibilidade de ações e de sentimentos, e que vejam que têm muitas razões pelas quais irem atrás dos seus objetivos. Que não se submetam à ditadura da moda, da “beleza”, do machismo – que mostrem o corpo que têm, com a beleza que têm, porque as que gostam de si mesmas são as verdadeiras gostosas; mas que também não vejam o feminismo como uma forma de ser superior aos homens e, com isso, pisar neles; que vejam o feminismo como uma maneira de ter os mesmos direitos, na qualidade de seres humanos que todos somos, mesmo na nossa diferença de sexo. E que elas saibam dispensar aqueles que as maltratam, não só com violência física, mas também com a violência que vêm junto com as palavras – que doem em lugares diferentes, e deixam marcas que não somem. Por fim, que consigam ser mulheres plenas, sem precisar que os homens confirmem essa sua qualidade.

Feliz dia, suaslinda! 

29 de fevereiro de 2012

Intolerância: ignorância ou ingenuidade?

Desde que eu me conheço por gente, e até antes disso, a intolerância é notícia quase diária nas páginas dos jornais. Casos de agressão tomam conta das páginas policiais cada vez mais, contra negros, judeus, gays (como esta, uma das mais recentes em Porto Alegre, por exemplo). Gente que se julga, de algum modo, superior por causa da sua raça “pura” ou por sua condição sexual “correta”, os “certinhos da vida”, se acham no direito de fazer justiça com as próprias mãos neste mundo tão desorganizado e bagunçado. Pobres de espírito.

Mal sabem eles das origens das suas famílias (ou sabem, e sentem vergonha) – ainda mais, falando do caso dos brasileiros, todos, sem exceção, miscigenados e, pelo menos uma boa parte da população, de origens pobres, origem escrava, origem prostituta. Porque eu duvido que senhor de engenho algum, por mais nobreza que tivesse em sua sala de estar, não tenha tido uns momentos de prazer com a escrava mais nova, mais negra, mais gostosa, mais sofrida da fazenda, ou com o mulatinho mais desobediente, rebelde e musculoso. Duvido que o bisavô alemão mais racista não tenha tido um caso secreto com a filha dos judeus da loja da esquina ou, “pior”, não tenha amado desesperadamente uma delas, do tipo daqueles amores proibidos dos filmes da década de 50, nos quais os apaixonados se encontravam às escondidas, faziam juras de amor eterno, até acontecer uma tragédia, e o “mocinho” ter que casar com outra. Eu duvido que não tenha sido assim, por décadas – quiçá, por milênios.

Aí vem um playboyzinho que teve tudo na vida, e sabe-se lá Deus o porquê, tem a mente – ou o coração, como quiserem – cheia de ódio, cheia de ensinamentos (que ninguém sabe ao certo de onde saíram) sobre a “moral e os bons costumes” – regras que até ele não deve saber direito quais são – querer ensinar o mundo como se deve ser. Negros serão sempre menos do que brancos, judeus merecem morrer, gays são esse erro da humanidade. Teve tudo na vida, só não sabe pensar.

Vou me ater aos gays, neste post, e já entenderão o porquê. Essas pessoas fazem passeatas para lutar por seus direitos – direitos básicos, como o de poder ser quem são. Passeatas essas que não são violentas, não agridem ninguém; é, no fundo, uma grande festa, uma festa que celebra a diversidade. Daí os machos não se aguentam, e criam uma passeata pelo direito de ser heterossexual. Porque ser hetero é sofrer preconceitos, é ouvir piadinhas o dia todo, é apanhar na rua covardemente, entrar em coma, sofrer abuso. Ah, é, bem isso. Só que ao contrário.

Não, eu não sou gay. Não me sinto atraída sexualmente por mulheres. É a minha condição. Mas eu tinha um tio que era gay. Não, ele não ERA e depois deixou de ser; ele sempre foi e morreu assim. Era um dos cabeleireiros mais adorados do centro de Porto Alegre, no salão que levava seu nome durante aproximadamente 25 anos. Era daquelas bibas escandalosas, que ia praticamente travestida trabalhar: cabelos compridos, maquiagem no rosto, salto alto ou plataforma. Minha mãe escolheu ele para ser meu padrinho. E ele nunca me deixou na mão: sempre me ouviu, sempre quis me ajudar, sempre separou matérias em jornais que achava que eu ia gostar para eu ler e, claro, quando possível, cuidava do meu cabelo. Acima disso, sempre me ouviu em brigas minhas com o resto da família, e sempre procurava mediar as situações desconfortáveis. Metade do meu nome eu devo a ele – a parte do “Loren”, que veio diretamente da Sophia, sua musa. Eu amava este homem, e hoje ele não está mais aqui. Posso dizer que eu amei loucamente um gay, e não tenho vergonha disso. Era, debaixo de toda a maquiagem – sempre impecável – outro ser humano, como nós, heteros.

Uma vez fui numa festa gay, com mais uns oito gays. Acho que nunca ri tanto na minha vida, de todas as piadas que eles faziam, e também acho que nunca dancei tanto na minha vida. Eram em sua maioria adolescentes – assim como eu – e estavam saindo escondidos dos pais (muitos porque os pais simplesmente não sabiam da sua condição, alguns porque eles não aceitavam). Lembro de, um momento na noite, me sentar no balcão com um desses meninos e uma drag queen que trabalhava no local, e falar sobre como eles se sentiam a respeito da sua condição e da aceitação das pessoas na volta. Triste foi ouvir que quem mais recriminava eram seus pais. As mães, na maioria, aceitavam mais facilmente, mas os pais, não. Pais perdendo vínculos com filhos por causa da sua condição sexual: será que não tem nada mais importante do que qual sexo os filhos preferem? Triste, só isso.

Então, sim, tenho pena – não conheço outra palavra pra descrever o que sinto – desses preconceituosos, desses que não aceitam seus filhos, desses que batem, desses que querem curá-los da sua doença (leia essa aqui). Sinto pena porque eles perdem em todos os sentidos: perdem por não abrirem a mente, perdem por não aceitar as pessoas como elas são, perdem por não contemplar mais faces da mesma humanidade que possuem, perdem a possibilidade de fazer mais amigos. Não sei, como a pergunta do post, se isso é ignorância – no sentido mais simples da palavra, a de ignorar, no caso, outros pontos de vista sobre um assunto que, para eles, já tem seu ponto final – ou se é ingenuidade, um caso de uma criança que não sabe nada ainda. No fundo, no fundo, pra mim, parece hipocrisia – como disse antes, alguém que conhece, ou, pelo menos, que tem noção dessa diversidade toda do ser humano e, simplesmente, não aceita. Sinto pena, porque, em última instância, intolerantes são só perdedores. 

26 de fevereiro de 2012

Tem coisas que não se pagam

Eu ando meio nessa "vibe" de aproveitar os momentos com intensidade. Sabe, não tô me arrependendo. Claro, a parte da ressaca e da canseira nos dias subsequentes poderiam ser suprimidas, mas não dá, infelizmente. E né, faz parte também. Lembra que a gente não pode aguentar qualquer coisa. Ou que eu tô ficando velha mesmo. Ou os dois. 

Mas como eu disse, não me arrependo. Ir pro bar "cult" e fazer o bar todo cantar axé e funk é impagável. Ouvir heavy metal em casa e ir numa festa só com som anos 90, dançando de "What is love?" a Paquitas, é impagável. Ver os amigos se soltando, sem se preocupar com julgamentos bobos é impagável. Ter história pra contar até a quinta geração da família é impagável. Pena que algumas pessoas não pensem assim.

Na verdade, sinto um tipo de pena de quem prefere ficar em casa a ir se divertir com os amigos, nem que seja pra não fazer nada. Aliás, não fazer nada juntos é muito bom - evidentemente, fazer alguma coisa é melhor ainda. O melhor de tudo é que, quando tem boas companhias, não importa o lugar, não importa a hora, não importa o preço. Melhor: quando tem boas companhias, os momentos não tem preço. 

Sinto pena de algumas pessoas que inventam desculpas pra não sair de casa, pra não estar lá, que reclamam do tempo, do valor da passagem, da distância, do cansaço, dos deveres; ou melhor: sinto pena de quem coloca tudo isso acima das relações humanas, das amizades, dos amores. É claro que de tanto fazer festa, a gente cansa, fica sem dinheiro, acumulamos trabalhos; mas isso tudo é tão pequeno, perto de estar com quem a gente gosta, que não tem nem como comparar. Além disso, falta de dinheiro não é desculpa pra não sair, pra não se divertir (pra mim, nunca foi) - amigo que é amigo, empresta, e depois, quando der, tu devolve, ou te propõe programas nos quais não precisa gastar. As relações de amizade vão além de uma relação bancária; nem o fato de ter que trabalhar ou estudar, porque sabemos que muitas vezes deixamos de fazer isso pra perder tempo na internet ou procrastinando por qualquer outra besteira. Estar cansado até é uma boa desculpa, passa, porque é bom estar totalmente disposto a viver aquele momento, do que vivê-lo pela metade. 

E eu não tô dizendo que nunca se pode trocar uma coisa pela outra - amigos entendem que tem horas que não podemos deixar de trabalhar ou de estudar, ou de fazer alguma outra coisa, e que se pudéssemos, deixaríamos. Também não é o caso de sermos egocêntricos a ponto de exigir que escolham estar conosco do que cuidar da própria vida. O que é triste é preferir uma coisa à outra, deliberadamente. Talvez, quem dê essas desculpas frequentemente, não tenha realmente noção do tamanho da perda. Espero que um dia não se arrependam da escolha das suas prioridades. Eu, certamente, não vou.

22 de fevereiro de 2012

Último post de Carnaval (do ano)

É, acabou. Mais uma quarta-feira de cinzas chega. Mas vou contar que esse carnaval foi, de certo modo, especial. Não ia fazer nada, ia ficar por Porto Alegre mesmo (doida, querendo "curtir" o carnaval no forno); mas tinha tanta gente me convidando pra sair da cidade - adorei perceber o quanto vale minha companhia (^.^) - que resolvi aceitar um dos convites. Fui com um amigo pra casa de praia dele, em Salinas. 

Confesso que não tava muito empolgada pelo feriado. Assim que cheguei lá, as coisas mudaram. Eu e ele saímos carregando minha mochila e dois fardos de latão de Polar, dois litros de energético e um de vodka (só pro primeiro dia, e só pra nós). E claro, rango né, porque é preciso se sustentar. Ainda ganhamos uns brindes por comprar salsichas - incluindo uma bola, que não tinha mais onde colocarmos. Pegar um ônibus sem vidros (o famoso "Frescão") com tudo isso aí e só dois pra carregar dá um certo trabalho. E sim, eu ri.

No mesmo dia, ainda fomos na praia e pro bar - claro. Aí conheci uma galera animadíssima. Ri muito. Me diverti muito. Dancei pagode no bar do Salvador - eu, a roqueira de 2003. Isso tudo no primeiro dia. E ainda tem gente que reclama de carnaval. 

Ainda teve a indiada em Torres. Domingo éramos quatro na casa e resolvemos passar a tarde em Torres.Uuma hora e meia para ir de Salinas até lá, pela Estrada do Mar, e QUATRO pra voltar. Por quê? Porque a gente é muito esperto e resolveu fazer o pior caminho do mundo pra voltar: ir pela Interpraias, a partir de Capão da Canoa. Saímos às sete da noite e chegamos por volta da meia-noite. De trajes de banho. Paramos em um supermercado (em Imbé ainda, nem perto de casa) às onze da noite, eu de biquíni e canga, com o cabelo cheio de sal, pra comprar carne. Já podem imaginar a cara das pessoas olhando os loucos voltando da praia às onze da noite. E indo jantar. As pessoas todas prontas pra festa, e nós lá, voltando da praia. E sabe, a gente tava adorando.

Concha de Cidreira tocando Michel Teló e Gustavo Lima a torto e a direito. E nós lá, empolgadaços, nos divertindo - uma vez amigos, sempre amigos (quando é de verdade, é assim). Porque, no fundo, o negócio mesmo é fazer festa. Que se dane a trilha sonora que terá! Que se dane o quanto a gente anda. Se as companhias são boas, é impossível ser tempo perdido. O que sobra são os momentos que a gente teve (ou, pelo menos, os que a gente lembra depois de tanta cerveja e vodka com energético). Não fica nada além disso. Como eu disse em um post anterior, a vida muda muito rápido e certas coisas podem acabar assim, do nada, sem mais nem menos. A gente se importa demais com coisas bestas, e acaba perdendo o melhor de tudo - nos importamos em manter uma certa imagem de nós mesmos, uma que nem sempre é necessária (porque algumas são, mas nem todas, e nem sempre). E no fim de tudo, valeu a pena? O que afinal a gente fez? Vocês, eu não sei, mas eu me diverti. E sim, valeu muito a pena.

Indiada começa com Kalena (-q) e nosso brinde da LeBon

Torres

Torres lotada no domingo

Ponte de Tramandaí-Imbé (depois de horas de engarrafamento)

Um ilustre visitante em Salinas

Carnaval em Cidreira